Questão Palestina: linha do tempo
Cada trabalhador/trabalhadora tem o direito de saber o que está acontecendo na Palestina, E porque a luta de libertação é justa contra o Estado Colonial de Israel. Camarada, leia e passe adiante esse resumo da resistência do povo palestino
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1882: Migração sionista
Em 1882 ocorreu a primeira onda de migração sionista para a Palestina.
1896: O Estado Judeu
Theodor Herzl, jornalista austro-húngaro de família judia e considerado o pai do nacionalismo judaico na Europa, lança sua obra “O Estado Judeu”, considerado o “manual” do sionismo, em que preconizava um Estado-nação exclusivamente judeu, em algum lugar do mundo, da Argentina à Palestina.
1897: Institucionalização do sionismo
Movimento sionista se institucionalizou em 1897 e passou a reforçar a organização da migração em massa de colonos judeus para a Palestina, que era dominada pelo Império Otomano, após considerar fundar o Estado Judeu em outros territórios, como Argentina e Uganda.
1914: Início da I Guerra Mundial
Império Britânico convenceu os povos árabes a lutarem contra os otomanos, aliados da Alemanha, com a promessa de que depois teriam sua independência. Nesta época, dos 690 mil habitantes da Palestina, 535 mil eram muçulmanos, 85 mil eram judeus e 70 mil eram cristãos.
OS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DA LUTA PALESTINA
1916: Acordo Sykes-Picot
Acordo secreto firmado entre França e Inglaterra para dividir o Oriente Médio entre zonas de influência vinculadas às duas potências imperialistas, já prevendo o desenho geopolítico da região após a derrota do Império Otomano na I Guerra Mundial.
1917: Declaração de Balfour
Manifestação do governo britânico em apoio ao projeto sionista de estabelecer um lar para os judeus na Palestina. A Grã-Bretanha ocupa a Palestina e passa a governá-la por meio de uma gestão militar, até receber um Mandato da Liga das Nações.
1919: 1º Congresso Palestino
Sociedade civil palestina se posicionou neste ano contra a migração de judeus para a criação de um Estado próprio em seu território e decide se opor à vinda de novos migrantes, garantido os direitos dos judeus que já viviam na região.
1920: Conferência de San Remo
Imperialismos britânico e francês dividiram o Oriente Médio após a derrota dos otomanos na I Guerra Mundial: territórios do Líbano e Síria ficam com a França, enquanto Iraque, Palestina e Transjordânia (hoje Jordânia), com os ingleses.
1920: Criação do Haganá
Haganá foi uma milícia criada pelos sionistas para atuar de forma paramilitar na Palestina durante o mandato britânico, realizando massacres contra os palestinos. Junto com outras organizações, deu origem ao Exército de Israel.
1922: Mandato Britânico na Palestina
Liga das Nações aprovou o Mandato Britânico da Palestina, que durou até 14 de maio de 1948.
1931: Criação do Irgun
Milícia sionista que realizava atentados terroristas. Seu líder, Menachem Begin, depois se tornou primeiro-ministro de Israel. Intelectuais judeus, como Albert Einstein e Hannah Arendt, publicaram carta aberta contra o Irgun no jornal The New York Times em 4 de dezembro de 1948.
1936: Revolta palestina
População palestina iniciou em 1936 mais uma revolta contra a presença colonial britânica e a migração judaica, com greves no comércio, nos serviços e nos transportes, que durou até o ano de 1939.
1946: Atentado ao Hotel King David
Milícia sionista Irgun realizou atentado terrorista com bombas no Hotel King David, em Jerusalém, em 22 de julho de 1946, provocando 91 mortes: 41 árabes, 28 britânicos, 17 judeus e 5 outros mortos.
1947: Anunciado fim do Mandato Britânico
Grã-Bretanha anunciou o fim do Mandato e transferiu a questão da Palestina para a ONU, que criou um comitê especial (UNSCOP), que viria a propor a partição do território.
1947: Plano de Partilha da Palestina
ONU aprovou, em 29 de novembro de 1947, a Resolução 181, com votos contrários dos países árabes e favoráveis dos EUA e URSS, que previa a divisão da Palestina em dois estados, com 56,5% do território para os judeus, 42,9%% aos não-judeus (muçulmanos e cristãos), cuja população era três vezes maior. A resolução decidiu que Jerusalém (0,6% do território) seria uma cidade internacional administrada pela ONU, o que também nunca foi cumprido por Israel.
1947/1948: Nakba, a catástrofe
Em 18 de dezembro de 1947 começou a limpeza étnica da Palestina. Até 14 de maio de 1948, quando os sionistas se autoproclamaram Estado e se autodenominaram Israel, já havia 250 mil palestinos expulsos. Já com um Estado e com as milícias unificadas em forma de exército, Israel seguiu a limpeza étnica e a tomada de território. Isso levou à intervenção de alguns países árabes. Este processo é conhecido como “Nakba” pelos palestinos, palavra árabe que significa catástrofe, pela expulsão de pelo menos 750 mil palestinos de suas terras, morte de 15 mil em 70 massacres, e destruição de 531 cidades, vilas e povoados para dar lugar ao Estado de Israel. Dos 78% do território tomado à força, que se tornou Israel, 88% da população palestina originária foi expulsa ou morta.
1948: Direito de retorno dos palestinos
Em 11 dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 194, que reconheceu a limpeza étnica e estabeleceu o direito de retorno dos refugiados palestinos como princípio fundamental para a resolução da Questão Palestina.
1949: Admissão de Israel na ONU
Em 11 de maio de 1949, finalmente a ONU admite Israel como estado-membro, mas com suas cláusulas condicionantes, de implementação das resoluções 181 (restituição dos territórios tomados) e 194 (restauração da demografia original por meio do retorno dos refugiados). As cláusulas não foram cumpridas, levantando questionamentos sobre a legalidade de Israel na ONU.
1959: Criação do Al Fatah
Criação do partido político palestino Al Fatah, liderado por Yasser Arafat, que viria a comandar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e, consequentemente, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) - criada após os Acordos de Oslo.
1964: Criação da OLP
Os partidos e grupos que lutavam pela causa Palestina se unificaram em torno da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que em seguida (1969) seria liderada pelo Fatah e por Arafat.
1967: Guerra dos Seis Dias
Em junho de 1967 Israel atacou o Egito, Síria e Jordânia e triplicou seu território ao conquistar a Península do Sinai, as Colinas de Golã, Gaza e a Cisjordânia, além de controlar Jerusalém Oriental, de maioria palestina.
1973: Guerra do Yom Kippur
Em novembro de 1973, Egito e Síria atacaram Israel durante o feriado judaico de Yom Kippur. Israel ocupa parte do Egito e mantém o controle das Colinas de Golã.
1974: Reconhecimento da OLP
ONU aprovou as Resoluções 3210 e 3236, que reconhecem a OLP como representante do povo palestino. Liga Árabe declarou que a OLP era a única representante legítima do povo palestino.
1974: Direito à autodeterminação
Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 338, que reafirma os direitos dos palestinos à autodeterminação e à independência nacional.
1975: Sionismo é racismo
Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução 3379, que considerou o sionismo como uma forma de racismo comparável ao apartheid sul-africano e ao colonialismo português. Em 1991 a resolução foi derrubada por pressão do lobby israelense.
1978: Acordos de Camp David
Em setembro de 1978, Egito e Israel assinaram acordo de paz mediado pelos Estados Unidos, estabelecendo o mútuo reconhecimento entre os países, o fim do estado de guerra, a retirada de Israel da Península do Sinai e a livre passagem de Israel pelo Canal de Suez.
1982: Massacre de Sabra e Chatila
Israel invadiu o Sul do Líbano para atacar a OLP e assumiu o controle de parte da capital Beirute, permitindo, entre 16 e 18 de setembro, o massacre de palestinos por milicianos cristãos libaneses nos campos de refugiados de Sabra e Chatila. Cerca de 2 mil civis palestinos, a maioria mulheres e crianças, foram mortos.
1987: Primeira Intifada
Em dezembro de 1987 teve início a primeira Intifada, pa lavra árabe que significa levante. O conflito se espalhou pela Cisjordânia, por Gaza e em Israel, e durou até 1993, deixando 1.962 palestinos mortos e 277 israelenses.
1988: Criação do Hamas
Criação do Hamas, apoiado pela Irmandade Muçul mana, do Egito. 1993: Acordos de Oslo Israel e a OLP assinaram acordo mediado pelos Estados Unidos que criou a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que seria o autogoverno dos palestinos. A Cisjordânia foi dividida em três áreas. A OLP reconheceu o Estado de Israel, mas Israel não reconheceu o Estado da Palestina, limitando-se a reconhecer a OLP como legítima representante do povo palestino.
1995: Assassinato de Rabin
O primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, foi as sassinado em novembro de 1995 por um militante is raelense de extrema direita contrário aos Acordos de Oslo, que Rabin assinou com Yasser Arafat.
2000: Segunda Intifada
Em setembro de 2000 teve início a segunda Intifada. A revolta durou até o ano de 2005, deixando mais de 3 mil palestinos mortos e cerca de 900 israelenses.
2004: Muro do Apartheid
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) declarou no dia 9 de julho de 2004 que o Muro do Apartheid construído por Israel na Cisjordânia viola as leis internacionais e solicitou à ONU medidas para interromper a construção. O muro começou a ser erguido em 2002 e até hoje está sendo ampliado, tendo 760 km de extensão e chegando a 8 metros de altura, cortando povoados, cidades e propriedades agrícolas dos palestinos.
2004: Morte de Arafat
O líder palestino Yasser Arafat morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos de idade, sendo substituído por Mah moud Abbas, também do Fatah, como presidente da Autoridade Nacional Palestina, na eleição de 2005. Há suspeita de que Arafat tenha sido envenenado com material radioativo.
2005: Israel sai de Gaza
Israel deixou a Faixa de Gaza após 40 anos de ocu ação, retirando suas tropas e os 8 mil colonos judeus que foram instalados na região.
2005: Movimento BDS
Representantes de mais de 170 organizações da so ciedade civil palestina criaram o movimento por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel.
2006: Hamas vence as eleições
Em janeiro de 2006, o Hamas venceu as eleições para o Conselho Legislativo da Palestina - órgão Legislativo da ANP -, obtendo a maioria das cadeiras parlamentares, o que lhe daria o direito de formar um governo em toda a Palestina. A vitória não foi aceita por Israel, EUA e pela União Europeia. Diante das pressões, o Conselho Legislativo da Palestina foi dissolvido e, após quase um ano de conflitos internos, o Hamas expulsou o Fatah de Gaza e assumiu o governo da região, deixando a Cisjordânia sob comando da ANP.
2007: Governo de União Nacional
Em março de 2007, com mediação da Arábia Saudita, Fatah e Hamas acordam e formam um governo de união nacional, mantendo como primeiro-ministro e chefe de governo Ismail Hanyie. Foi uma tentativa de obter um governo reconhecido pelo Ocidente sem des espeitar os resultados eleitorais do ano anterior.
2007: Divisão palestina e bloqueio a Gaza
Em junho de 2007 o presidente Abbas dissolve o governo de unidade nacional em reação aos confrontos violentos entre Hamas e Fatah em Gaza, com até 20 mortos, a maioria do Fatah. Hamas assume o poder em Gaza. Aproveitando-se na divisão palestina, Israel deu início ao bloqueio da Faixa de Gaza por terra, água 21 e ar, que se mantém até hoje, transformando o território na maior prisão a céu aberto do mundo.
2008: Operação Chumbo Fundido
Em dezembro de 2008, Israel lançou um ataque de três semanas a Gaza. Mais de 1.100 palestinos e 13 israelenses foram mortos.
2009: Crimes de guerra
Em setembro de 2009, o Conselho de Direitos Humanos da ONU apresentou relatório de 575 páginas afirmando que Israel transgrediu o Direito Internacional e cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.
2010: Brasil reconhece o Estado Palestino
Em dezembro de 2010 o Brasil passou a reconhecer o Estado Palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias. Todos os países sul-americanos, exceto a Colômbia, seguiram o mesmo posicionamento.
2012: Operação Pilar de Defesa
Em novembro de 2012 Israel atacou Gaza e anunciou a morte de uma liderança do Hamas, o dirigente militar Ahmad Jabari. Pelo menos 174 palestinos e 6 israelenses morreram. A ONG Human Rights Watch disse que Israel cometeu crimes de guerra na operação, matando civis inocentes.
2014: Operação Margem Protetora
Israel realizou nova operação contra Gaza, alegando resposta ao sequestro de três adolescentes pelo Hamas. O ataque durou sete semanas, resultando em 2.200 palestinos mortos e 73 israelenses.
2016: ONU declarou assentamentos ilegais
Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 2334, que declara os assentamentos judaicos no território palestino ocupado desde 1967 sem validade legal e “flagrante violação do Direito internacional”.
2017: Agência da ONU reconhece apartheid
Em 15 de março de 2017, a Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental da ONU publicou um relatório acusando Israel de impor um regime de apartheid e de discriminação racial contra a população palestina.
2018: Novo ataque a Gaza
Em março de 2018 milhares de palestinos protestaram na Marcha do Retorno, realizada próxima à cerca em torno de Gaza. A repressão israelense resultou na morte de 170 palestinos ao longo de vários meses de manifestações.
2021: ONG Israelense reconhece apartheid
Em 12 de janeiro de 2021 a ONG israelense de direitos humanos B’Tselem, mais antiga e importante organização do tema no país, publicou documento acusando Israel de adotar um regime de apartheid e detalhando leis e políticas que visam promover a supremacia judaica sobre os palestinos.
2021: Human Rights Watch denuncia apartheid
A ONG Human Rigths Watch publicou, no dia 27 de abril de 2021, um relatório em que acusa Israel de adotar um sistema de apartheid e de perseguição de pales tinos, tanto no território israelense como nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO).
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2022: Anistia Internacional reconhece apartheid
Em 1 de fevereiro de 2022, a ONG Anistia Internacional publicou um relatório de 211 páginas em que acusa Israel de submeter o povo palestino a um sistema de apartheid com políticas de segregação, expropriação e exclusão que equivalem a crimes contra a humanidade.
2022: Operação Quebra Ondas
Israel lançou a Operação Quebra Ondas, na Cisjordânia, resultando na morte de 146 palestinos e 29 israelenses.
2022: Nova eleição de Netanyahu
Em dezembro de 2022 teve início o sexto mandato de Netanyahu como primeiro-ministro de Israel, desta vez com a coligação mais extremista e abertamente racista da história, reunindo um bloco de partidos e políticos de extrema direita no poder.
2023: Novo ataque a Gaza
Em maio de 2023 Israel lançou ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, matando 13 palestinos, incluindo 4 mulheres e 4 crianças.
2023: Novos assentamentos aprovados
Em junho de 2023 o governo Netanyahu aprovou a construção de 5,7 mil novas residências em colônias judaicas na Cisjordânia ocupada. Ao todo, desde 1967, Israel es tabeleceu cerca de 140 assentamentos em terras pales tinas, onde vivem atualmente mais de 700 mil colonos.
2023: Invasão de Jenin
Em julho de 2023, Israel invadiu a cidade palestina de Jenin com 1 mil soldados, apoiados por drones, em um ataque contra este campo de refugiados.
2023: Ataque do Hamas e novo massacre a Gaza
Em 7 outubro de 2023 o Hamas lançou um ataque surpresa a Israel, com 1.200 vítimas israelenses. Israel respondeu com uma operação de guerra que, mais de um ano depois, em fins de novembro de 2024, já matou 55.031 palestinos, considerando os 10 mil desaparecidos sob escombros, o que representa 2,47% população de Gaza. Já foram assassinadas 17.659 crianças, sendo 17.492 em Gaza e 167 na Cisjordânia, e 4 mil ainda estão desaparecidas sob escombros. Quase 13 mil mulheres foram mortas e 700 ainda estão desaparecidas. Já foram 1.054 profissionais de saúde assassinados, entre médicos, enfermeiros, técnicos e demais categorias, e outros 1.300 foram feridos, quase todos com gravidade e/ou mutilados. O número de jornalistas mortos por Israel chega a 188 e 203 funcionários da ONU também foram assassinados. Os números são do Escritório Central de Estatísticas Palestino, que utiliza como fonte o Ministério da Saúde da Palestina, e da ONU, de seu Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.