Português (Brasil)

São Paulo-SP: manifestação popular contra a anistia para os golpistas retoma a hegemonia da esquerda sobre as ruas

São Paulo-SP: manifestação popular contra a anistia para os golpistas retoma a hegemonia da esquerda sobre as ruas

É preciso retomar as mobilização para exigir não apenas a prisão, punição e justiça contra os golpistas, seus mandantes e patrocinadores do empresariado, banqueiros e do agronegócio, seus líderes políticos e religiosos, como Tarcísio e Malafaia. É preciso se livrar de toda a herança maldita do golpismo de 1964-1985 e de 2016 a 2022, desarmar a contrarrevolução burguesa e seguir na luta pela democracia dos trabalhadores.

Compartilhe este conteúdo:

Levi Sotto

No dia 30 de março de 2025, foi realizada em São Paulo uma das maiores manifestações contra o golpismo no Brasil desde a vitória de Lula e da esquerda e derrota do projeto fascista de reeleição de Bolsonaro em 2022. Entre 25 e 30 mil pessoas caminharam da Avenida Paulista até a sede do Doi-Codi (Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações e Defesa Interna), centro de tortura durante a ditadura, que fica no bairro do Paraíso.

A manifestação "SEM ANISTIA" representou um grito que estava contido na garganta. Os que foram as ruas desejavam justiça contra os torturadores da ditadura militar, os golpistas que instituíram a operação lava-jato, derrubaram Dilma, prenderam Lula e fracassaram quanto tentavam realizar um novo golpe de estado entre meados de 2022 e o 8 de janeiro de 2023.

O protesto foi muito bom e teve a participação dos movimentos sociais, com uma grande presença dos movimentos dos sem teto, a Central dos Movimentos Sociais, MST, MTST, torcidas organizadas, movimento sindical. A manifestação foi imensa apesar da baixa presença de bandeiras do PT e outros partidos. A CUT participou da atividade, através da presença da APEOESP, por exemplo, mas de forma pouco visível também, um erro dos organizadores.

É necessário  que as manifestações  continuem com bandeiras das mais diversas lutas da classe trabalhadora, lutas contidas nos últimos 61 anos por golpes que interrompem o avanço das condições sociais e políticas da população trabalhadora. Umas das bandeiras mais importante dos últimos meses é o FIM DA JORNADA 6X1, luta que esteve presente com alguns cartazes, mas a principal bandeira foi sem dúvida a da SEM ANISTIA para os golpistas.

É preciso retomar as jornadas de mobilização para exigir não apenas a prisão, punição e justiça contra os golpistas-bolsonaristas, seus mandantes e patrocinadores do empresariado, banqueiros e do agronegócio, inclusive de representantes políticos e religiosos, atuais, como Tarcísio e Malafaia, por exemplo. Mas é preciso também ir além e se livrar de toda a herança maldita do golpismo de 1964-1985 e de 2016 a 2022, como a tutela militar sobre a sociedade, a polícia militar, as políticas de contrarreformas, privatizações, teto de gastos e juros altos do BC que favoreceram e favorecem ao ciclo de acumulação de capitais iniciado com o golpe de 2016.

Lutamos contra os golpes de estados e ditaduras militares que eles pretendem impor, não porque nos é suficiente a democracia semicolonial e a justiça dos ricos capitalistas, mas para derrotar a contrarrevolução burguesa - cuja representação política em tempos de crise é o fascismo, agora com sua atualização bolsonarista - e para lutar em melhores condições pela democracia e pelo governo dos trabalhadores.

Outras manifestações ocorreram também em várias cidades do país, para além das capitais, coomo Fortaleza, São Luís, Belo Horizonte, Belém, Recife e Curitiba, o que significa que as manifestações reuniram mais de 30 mil pessoas.

Diferentemente de 2024, quando a direita realizou manifestações maiores que a esquerda, em 2025, o bolsonarismo está colhendo vários retrocessos e reveses populares, políticos e jurídicos. Bolsonaro e aliados realizaram em 17 de março um ato a fim de defender a anistia para si e para todos os golpistas. Compareceram à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, cerca de 18,3 mil pessoas, bem menos do que conseguiram reunir ano passado, frustrando a expectativa anunciada que esperava pelo menos um milhão de pessoas para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a pauta da Anistia.

O retrocesso da direita e avanço da esquerda pode ser uma tendência consistente de retomada da hegemonia das ruas pela esquerda se as principais organizações políticas de massas e partidárias não frustrarem a disposição de luta da classe trabalhadora em favor da conciliação com os golpistas, banqueiros e especuladores.

 

O movimento precisa também criar suas pautas de luta nas ruas, as demandas mais sentidas da classe trabalhadora, por jornada de trabalho, salário, educação, saúde, transporte e moradia e não reagir apenas às pautas da direita. Sem isso, corremos o risco da direita ir pra rua com as bandeiras do CUSTO DE VIDA bandeiras tradicionais da esquerda.

De todos os modos, foi uma grande manifestação e nós do grupo Emancipação do Trabalho que participamos dela, militamos para que ela represente a retomada das lutas de rua, greves e que tenham continuidade no primeiro de maio.

 

 

 

 

Compartilhe este conteúdo:
  Veja Mais
Exibindo de 1 a 9 resultados (total: 169)

 contato@emancipacaodotrabalho.org
Junte-se a nós!